Mapa de stakeholders do audiovisual

Por Aline Britto Fialho 
2026

O mapa de stakeholders do Audiovisual de Misiones

1) Contexto geral do estudo
Este estudo busca compreender como o setor audiovisual da província de Misiones, Argentina, se organiza a partir das relações entre seus principais atores. O audiovisual é tratado como parte da Indústria Criativa e entendido como um campo que articula cultura, economia e políticas públicas. Esta estapa da pesquisa está no eixo sociedade e integrou os estudos realizados em Posadas, Argentina.
O foco está em mostrar quem participa do setor, como esses atores se relacionam e por que algumas instituições exercem papel central ao longo das etapas de produção, circulação e acesso às obras audiovisuais.


2) Indústria Criativa Audiovisual e cadeia produtiva
O audiovisual integra a Indústria Criativa por transformar criatividade e conhecimento em bens culturais. Esse processo não ocorre de forma isolada: ele depende de uma cadeia produtiva, composta por etapas sucessivas e interligadas.
De forma simplificada, essa cadeia envolve:

  • quem cria e produz as obras;
  • quem viabiliza sua circulação;
  • quem garante espaços de exibição;
  • quem promove o acesso e a formação de público.

Dica: pense na cadeia como um fluxo contínuo. Se uma etapa falha, todo o sistema é afetado.


3) O audiovisual na Argentina e na província de Misiones
Na Argentina, o audiovisual é reconhecido como política pública cultural. Em Misiones, esse reconhecimento se fortalece com a criação de legislação própria e de uma instituição dedicada ao setor.
O Instituto de Artes Audiovisuais de Misiones (IAAviM) – https://www.iaavim.gob.ar – atua como principal articulador do sistema audiovisual local. Ele fomenta a produção, regula o setor e conecta os diferentes atores da cadeia.

Dica: ao longo do mapa e da matriz, observe como o IAAviM aparece repetidamente em diferentes etapas.


4) O Mapa de Stakeholders
O mapa de stakeholders identifica quais atores compõem o setor audiovisual de Misiones e qual o papel de cada um. Ele representa instituições, organizações, coletivos e grupos profissionais — não indivíduos isolados.
O objetivo do mapa é tornar visíveis:

  • níveis de influência;
  • graus de interesse;
  • relações de dependência e cooperação.

Primeiro nível de leitura: tipos de stakeholders

Quadro 1 – Classificação de Stakeholders: Matriz de Influência e Interesse.

CATEGORIA DEFINIÇÃO
Primário Indivíduos ou grupos que têm um interesse direto e imediato nas ações e decisões relacionadas aos projetos e programas realizados.
Secundário Indivíduos ou grupos que são afetados indiretamente pelos programas e projetos.
Interno Indivíduos ou grupos que estão dentro das organizações.
Externo Indivíduos ou grupos que estão fora da organização, mas que são afetados pelas atividades dessa organização.

Fonte: USAID (2018).

Este quadro apresenta uma primeira organização dos atores, distinguindo:

  • stakeholders com impacto direto e indireto;
  • atores internos e externos às estruturas centrais do setor.

Observe: essa classificação ajuda a entender quem é mais diretamente afetado pelas decisões e políticas do audiovisual.

Segundo nível de leitura: influência e interesse

Quadro 2 – Classificação de stakeholders: matriz de influência e interesse.

Fonte: elaborado pelos autores a partir de USAID (2018).

Aqui, os stakeholders são posicionados conforme:

  • sua capacidade de influência;
  • seu nível de interesse no funcionamento do setor.

Observe: atores com alta influência tendem a concentrar decisões; atores com alto interesse nem sempre têm poder equivalente.

Terceiro nível de leitura: normativos e derivativos

Figura 3 – Mapa dos stakeholders (normativos e derivativos)

Fonte: elaborada pelos autores a partir de Philips (2007).

Nesta visualização, os stakeholders são diferenciados entre:

  • normativos: essenciais para que o setor funcione;
  • derivativos: relevantes, mas não estruturantes.

Observe: a posição central dos atores normativos indica onde a cooperação é indispensável.


5) Da leitura do mapa à Matriz do Audiovisual de Misiones
A matriz amplia o mapa ao cruzar:

  • o domínio do audiovisual em Misiones;
  • as funções do ciclo de produção.

Ela responde a uma pergunta-chave: em quais etapas cada stakeholder atua?

Leitura funcional dos stakeholders

Quadro 3 – Domínio (audiovisual de Misiones) X Funções (ciclos de produção)

Stakeholder Produção Distribuição Exibição Público
IAAviM Fomento e regulação: financia, regula e incentiva produções locais (editais, leis, subsídios e créditos). Difusão de obras: articula políticas para divulgar produções (provincial, nacional e internacional). Exibição e parcerias: estabelece convênios e ações para assegurar espaços de exibição. Formação e acesso: promove educação audiovisual, formação de públicos e garante o acesso democrático às produções.
Produtoras Independentes  Produção e criação: principais responsáveis pela realização de obras audiovisuais. Circulação e difusão: buscam ampliar a distribuição e a visibilidade de seus produtos. Participação cultural: atuam em festivais e exploram espaços alternativos de exibição. Engajamento do público: promovem reflexão e interação com os temas abordados nas obras.
Festivais Encontro e incentivo: funcionam como espaços de troca e estímulo à produção audiovisual. Circulação e promoção: atuam como janelas de visibilidade para obras audiovisuais. Exibição diversa: mostras competitivas e não competitivas de filmes, curtas e animações. Formação e valorização: contribuem para formar públicos e fortalecer a cultura audiovisual.
Distribuidoras/
Agentes
Distribuição e mercado: difusão e comercialização das obras audiovisuais Exibição e parcerias: articulam a veiculação com salas de cinema e outros espaços de exibição.
Público/
Comunidade
Produção comunitária: a lei* incentiva produções audiovisuais com finalidade social e participação ativa da comunidade em todo o processo. Público e direitos culturais: o público é o destinatário das obras, no exercício dos direitos culturais e ao acesso ampliado (IAAviM).
Salas de Cinema Comerciais Espaços de exibição: salas para a apresentação de produções locais, regionais, nacionais e internacionais (salas IAAviM e espaços INCAA).
Cineclubes Exibição e valorização local: promovem a difusão de produções audiovisuais locais e independentes. Educação e formação: incentivam a alfabetização audiovisual, o desenvolvimento de leitura crítica e formação de novos públicos.
Universidades Formação técnica e produção: produzem conteúdos e qualificam profissionais (cursos técnicos e superiores na área audiovisual). Pesquisa e inovação: promovem capacitação, pesquisa e o desenvolvimento de novas linguagens audiovisuais.

*Lei Provincial VI-171/2014
Fonte: elaborado pelos autores a partir de ESSnet-Culture (2012).

Este quadro organiza os atores conforme sua atuação em:

  • produção;
  • distribuição;
  • exibição;
  • público.

Observe: alguns stakeholders aparecem em várias funções, indicando maior peso estrutural.

Visualização do ciclo produtivo

Figura 4 – Dimensão funções: ciclos de produção do audiovisual

Fonte: elaborada pelos autores a partir da ESSnet-Culture (2025).

Esta figura mostra como as funções se distribuem ao longo do ciclo audiovisual.

Observe: repare onde há concentração de responsabilidades e onde surgem possíveis lacunas.

Visão sistêmica do setor audiovisual

Figura 5 – Matriz do Audiovisual de Misiones

Fonte: elaborada pelos autores a partir da ESSnet-Culture (2025).

Esta é a visualização central. A matriz permite compreender o setor como um sistema integrado, evidenciando:

  • redes de interação;
  • dependências institucionais;
  • pontos de fragilidade e sustentação.

Dica final: leia a matriz tanto horizontalmente (etapas do ciclo) quanto verticalmente (atores).

 

COMO CITAR:
FIALHO, Aline Brito; MARTINS, Tiago Costa. Mapa de stakeholders do audiovisual. In: SEMIIC 2026, 2026. Disponível em: https://eventos.unipampa.edu.br/semiic/mapa-de-stakeholders-do-audiovisual/. Acesso em: dd mmm. aaaa.