Apresentação
O VI Seminário (Des)Fazendo Saberes na Fronteira: Mudanças Climáticas, Violência de Gênero e Desigualdades Sociais no Sul Global, a ser realizado na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), constitui a sexta edição de um projeto acadêmico consolidado no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas (PPGPP).
De caráter interdisciplinar, interinstitucional e internacional, o Seminário é realizado bianualmente e vem se afirmando como espaço estratégico de articulação entre pesquisa, ensino, inovação, extensão e internacionalização. Ao reunir pesquisadoras e pesquisadores, estudantes, movimentos sociais, representantes do poder público e organizações da sociedade civil, o evento promove o diálogo sobre problemáticas contemporâneas relacionadas às desigualdades sociais, aos direitos humanos e às políticas públicas, especialmente em contextos de fronteira.
Ao longo de suas edições, o Seminário tem contribuído para a expansão e a pluralização dos estudos feministas, antirracistas, decoloniais e socioambientais. Também tem fortalecido redes nacionais e internacionais de pesquisa, ampliado a cooperação entre instituições e promovido a interlocução entre diferentes áreas das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.
Nesse percurso, o evento consolidou-se como espaço de aproximação entre universidade, movimentos sociais e sociedade civil, fomentando debates críticos e socialmente referenciados sobre gênero, raça, sexualidades, democracia, justiça social, territorialidades, direitos humanos e políticas públicas.
Crise climática, desigualdades e violações de direitos
O Seminário parte do entendimento de que as mudanças climáticas, a violência de gênero, o racismo ambiental e as desigualdades sociais constituem fenômenos profundamente interligados. Esses processos são atravessados pelas permanências do colonialismo, pelas dinâmicas do capitalismo neoliberal, pelas violências patriarcais e pelas múltiplas formas de exploração dos corpos, dos territórios e dos ecossistemas.
Nesse contexto, o evento busca promover reflexões críticas sobre os impactos desiguais da crise climática nas populações historicamente vulnerabilizadas, especialmente mulheres, populações negras, indígenas, periféricas, LGBTQIA+ e comunidades tradicionais do Sul Global.
Ao colocar no centro das discussões as relações entre gênero, raça, sexualidade, território, classe e meio ambiente, o Seminário pretende contribuir para a construção de perspectivas capazes de problematizar as desigualdades estruturais e os processos históricos de exclusão que marcam os territórios latino-americanos e fronteiriços.
A proposta reconhece que os efeitos da emergência climática não atingem todos os grupos sociais da mesma maneira. Em diferentes contextos, esses efeitos podem produzir deslocamentos territoriais, insegurança alimentar, precarização das condições de vida, ampliação das violências e aprofundamento das vulnerabilidades sociais.
Conhecimentos, resistências e justiça climática
Diante desse cenário, o Seminário busca fortalecer espaços de produção coletiva de conhecimento comprometidos com perspectivas antirracistas, anticolonialistas, antipatriarcais, antifascistas e ambientalmente sustentáveis.
Para isso, valoriza as epistemologias do Sul e as abordagens decoloniais, ecofeministas e comunitárias, compreendidas como referenciais fundamentais para a análise crítica dos desafios contemporâneos enfrentados por diferentes territórios e populações.
Nessa direção, o evento pretende ampliar os debates sobre justiça climática, direitos humanos, democracia, participação social e proteção dos territórios. Reconhece, ainda, a centralidade das experiências, das estratégias de resistência e das formas de organização construídas por movimentos sociais, povos tradicionais e coletivos historicamente marginalizados.
O Seminário também pretende consolidar-se como espaço de interlocução horizontal e plural, promovendo trocas acadêmicas, culturais, políticas e sociais entre diferentes sujeitos e instituições. A iniciativa busca fortalecer redes de cooperação científica e ativista, ampliar a circulação social do conhecimento e contribuir para a construção de respostas coletivas diante das crises sociais, ambientais e políticas contemporâneas.
A edição de 2026
A edição de 2026 aprofundará os debates sobre os impactos das mudanças climáticas nos grupos historicamente vulnerabilizados, com ênfase nas relações entre violência de gênero, raça, classe, território e justiça climática.
Entre as questões a serem discutidas estão os eventos climáticos extremos, a ampliação das vulnerabilidades sociais, as respostas institucionais e comunitárias aos desastres socioambientais e os desafios relacionados à formulação de políticas públicas inclusivas, democráticas e socialmente referenciadas.
O evento reunirá pesquisadoras e pesquisadores nacionais e internacionais em conferências de abertura e encerramento, mesas-redondas, grupos de trabalho, sessões de comunicações científicas e minicursos.
A programação abordará temas como justiça climática feminista, desigualdades estruturais, violência de gênero em contextos de desastres, racismo ambiental, participação social, direitos humanos, governança climática, saúde mental, territórios vulnerabilizados e redes de resistência no Sul Global.
Ao articular produção acadêmica, experiências comunitárias e debates interdisciplinares, o Seminário pretende fortalecer redes de pesquisa e cooperação científica voltadas à compreensão crítica das múltiplas dimensões da crise climática contemporânea.
