Último dia do 11º Siepe debate a inserção da extensão no currículo dos cursos de graduação

A manhã desta quinta-feira, 24, começou com a discussão sobre a extensão nos cursos de graduação. A palestra «A inserção da extensão no currículo e o engajamento estudantil» foi proferida pelas professoras Maria Inês Vitória e Eloisa Maria Wiebusch e ocorreu no Parque Internacional, entre as cidades de Sant’Ana do Livramento, no Brasil, e Rivera, no Uruguai, integrando a programação do 11º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (Siepe).

A abertura da atividade foi realizada pela pró-reitora de Graduação (Prograd) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Amélia Bastos, que destacou que a instituição está recebendo a extensão por entender que a prática e a vivência na comunidade é a base para o aprendizado, para compreender a realidade e não só por ser uma determinação legal. Na sequência, o pró-reitor de Extensão e Cultura (Proext), Rafael Maurer, falou da importância da extensão também para o combate à evasão. «A extensão faz com que o aluno tenha o sentimento de pertencimento à universidade», disse.

A palestrante Eloisa Wiebusch abordou a inserção da extensão prevista no Plano Nacional de Educação (PNE) e destacou uma das metas que estipula que «10% do total da carga horária dos cursos de graduação devem ser destinadas a atividades de extensão». Segundo a pesquisadora, «a inserção da extensão universitária, nos cursos de graduação, efetiva uma proposta humana, pedagógica, política e ética que viabiliza a reorganização curricular e potencializa a criação de propostas integradas e interdisciplinares». Eloisa apresentou, ainda, exemplos de projeto de extensão desenvolvidos em cursos técnicos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense – Campus Venâncio Aires.

A discussão continuou com a professora Maria Inês Vitória, que trouxe as características dos contextos emergentes como, por exemplo, o acesso e expansão da Educação Superior; a diversidade das Instituições; a Era exponencial – tecnologias digitais e EaD. A docente também apresentou o perfil dos estudantes de hoje, que são estudantes trabalhadores; de segmentos de setores populares; que possuem diferentes trajetórias educativas, capitais, culturais e familiares, o que leva a transformações do perfil do educador. «É no fazer que eu vou me refazendo, vou me recriando como professora. É preciso falar menos e fazer mais», afirma.

Maria Inês ressalta que a produção de conhecimento não deve ser para alimentar egos, mas para desenvolver o entorno. A pesquisadora enfatizou ainda o conceito de engagement estudantil, que implica elementos inerentes aos estudantes (motivação, desejo, curiosidade, etc.) e é o resultado de um ambiente didático favorável à promoção de programas, projetos, eventos, prestações de serviços, que envolvem – de forma ativa – a comunidade acadêmica. Para a estudiosa, é necessária a seguinte tríade: «acesso, permanência, engagement acadêmico».

Por fim, a pesquisadora afirma que é possível atribuir à extensão a possibilidade de «potencializar o desenvolvimento da comunidade acadêmica; promover um ecossistema de encontro e de ampliar os repertórios individuais». Logo após a palestra, houve uma roda de conversa com os coordenadores de curso da Unipampa sobre a inserção da extensão na instituição e o trabalho que já está sendo realizado na Universidade.

Educação para o desenvolvimento tecnológico é tema de palestra no segundo dia do 11º Siepe

O segundo dia do 11º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (Siepe) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) reuniu participantes de todo o Brasil no Parque Internacional da Fronteira entre Brasil e Uruguai para ouvir a Banda Voltagem 220 e a palestra “O Papel da Pós-graduação no Desenvolvimento Tecnológico e na Inovação do País”, proferida pelo diretor da Agência de Inovação e transferência de Tecnologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Hélio Leães Hey.

 

Para o professor, o papel da universidade pública no país, principalmente da Unipampa situada numa região de pobreza, é trazer desenvolvimento. “A grande diferença  entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos está na educação. Ela que permite a construção de uma sociedade mais igualitária, justa, que permita maior distribuição de renda, saneamento básico e mobilidade urbana. O que modifica uma nação passa pela educação”.

De acordo com as informações trazidas na palestra, 50% da população brasileira tem ensino fundamental incompleto ou não tem instrução nenhuma, 42% tem ensino fundamental completo ou ensino médio, 7,5% tem ensino superior completo e apenas 0,44% possui mestrado e/ou doutorado. “Como vamos trazer desenvolvimento tecnológico se 92% da nossa população não tem acesso a educação? Fazemos parte de uma elite muito pequena, que consegue frequentar a academia e, por isso, tem uma grande responsabilidade”. Além disso, Hey também revelou que a evolução da taxa de matrículas no ensino superior iniciou um crescimento no início dos anos 2000, proporcionando uma pequena inclusão. “70% dos jovens de 18 a 24 anos ainda não tem acesso a educação superior e os números impressionam ainda mais: de cada 100 crianças que ingressam na escola, apenas 65 delas conclui o ensino média, 7 ingressam a educação superior, mas somente duas chegam a se graduar”.

O professor também frisou que os acadêmicos quando vão procurar emprego têm a visão pessoal  de que, se no país há carência por profissionais com graduação ou na pós-graduação, a situação no mercado de trabalho será mais favorável. “Mas não é verdade, a recessão pegou a todos. Há um grande número de recém-formados desempregado ou em subempregos. 25% dos mestres e doutores do país estão desempregados”.

Segundo o palestrante, as universidades devem formar profissionais com mais conhecimento multidisciplinar e novas habilidades. “Hoje o perfil mais procurado pelas empresas é de um profissional aberto a mudanças, enfrenta desafios, inglês fluente, empatia, resiliência, proatividade, criatividade e multidisciplinar”.

Para Hey, a universidade deve construir uma formação mais empreendedora. “Nossos jovens têm que enxergar o mundo de uma forma diferente, como uma janela de oportunidades, buscar empreendimentos que tragam soluções para os problemas cotidianos”, finalizou ele.

Esta quinta-feira,24, é o último dia do 11º Siepe e a programação deve acontecer  no Parque Internacional, Unipampa, Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) e Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS). Acompanhe a agenda:

9h – Apresentações de Pôsteres – Unipampa/IFSul/UERGS

9h – Oficina “Sistemas Agroflorestais: Estratégia de Produção Agroecológica” – Sala 1 da UERGS

9h – Mesa Redonda: “A inserção da extensão no currículo e o engajamento estudantil” – Parque Internacional

10h30 – Roda de conversa com coordenadores de curso e formação: Inserção da Extensão na Unipampa – Parque Internacional

14h30 – Apresentação Cultural: Grupo de Estudos e Práticas de Rock – Parque Internacional

15h – Cerimônia de Encerramento/Premiação/ Lançamento do 12º Siepe – Parque Internacional

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Proppi promove III Fórum de Coordenadores da Pós-Graduação

Nesta quarta-feira, 23, a Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi), da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), reliza a terceira edição do Fórum de Coordenadores da Pós-Graduação. O evento, que integra a programação do segundo dia do 11º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (Siepe), ocorre no Salão Nobre da Prefeitura de Sant’Ana do Livramento.

A abertura do encontro contou com a presença do pró-reitor e do pró-reitor adjunto de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, respectivamente, Velci Queiróz de Souza e Fábio Gallas Leivas, e do reitor da Unipampa, Marco Antonio Fontoura Hansen. O dirigente da instituição destacou a qualificação da pós-graduação e o crescimento no número de cursos, de professores e de alunos, apesar da redução de recursos financeiros. Hansen relatou o histórico de suas reuniões em Brasília, oportunidades nas quais solicitou recursos para o ensino, para laboratórios e demais demandas institucionais. O reitor falou ainda sobre o Programa Future-se do Ministério da Educação (MEC), que passou por reformulações após a consulta popular e está dividido em três eixos: Gestão, Governança e Empreendedorismo; Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação; Internacionalização.

Pela manhã, a programação contou com a mesa redonda «Seminário de Meio Termo Capes, como estamos?». À tarde, ocorre a palestra «Diretrizes para autoavaliação dos cursos e a contribuição da CPA no processo autoavaliativo», apresentada pelo presidente da Comissão Própria de Avaliação (CPA), João Timóteo de los Santos, e «A Propriedade Intelectual na Pós-Graduação», assunto abordado pela coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica da Unipampa, professora Caroline Moraes.

À noite, a partir das 19h, os participantes serão convidados para prestigiarem a palestra de encerramento do segundo dia do 11º Siepe, que ocorrerá no Parque Internacional. A temática «O papel da pós-graduação no desenvolvimento tecnológico e na inovação do país» será proferida pelo professor Hélio Leães Hey, diretor da Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia (Agittec) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).