Educação para o desenvolvimento tecnológico é tema de palestra no segundo dia do 11º Siepe

O segundo dia do 11º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (Siepe) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) reuniu participantes de todo o Brasil no Parque Internacional da Fronteira entre Brasil e Uruguai para ouvir a Banda Voltagem 220 e a palestra “O Papel da Pós-graduação no Desenvolvimento Tecnológico e na Inovação do País”, proferida pelo diretor da Agência de Inovação e transferência de Tecnologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Hélio Leães Hey.

Para o professor, o papel da universidade pública no país, principalmente da Unipampa situada numa região de pobreza, é trazer desenvolvimento. “A grande diferença  entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos está na educação. Ela que permite a construção de uma sociedade mais igualitária, justa, que permita maior distribuição de renda, saneamento básico e mobilidade urbana. O que modifica uma nação passa pela educação”.

De acordo com as informações trazidas na palestra, 50% da população brasileira tem ensino fundamental incompleto ou não tem instrução nenhuma, 42% tem ensino fundamental completo ou ensino médio, 7,5% tem ensino superior completo e apenas 0,44% possui mestrado e/ou doutorado. “Como vamos trazer desenvolvimento tecnológico se 92% da nossa população não tem acesso a educação? Fazemos parte de uma elite muito pequena, que consegue frequentar a academia e, por isso, tem uma grande responsabilidade”. Além disso, Hey também revelou que a evolução da taxa de matrículas no ensino superior iniciou um crescimento no início dos anos 2000, proporcionando uma pequena inclusão. “70% dos jovens de 18 a 24 anos ainda não tem acesso a educação superior e os números impressionam ainda mais: de cada 100 crianças que ingressam na escola, apenas 65 delas conclui o ensino média, 7 ingressam a educação superior, mas somente duas chegam a se graduar”.

O professor também frisou que os acadêmicos quando vão procurar emprego têm a visão pessoal  de que, se no país há carência por profissionais com graduação ou na pós-graduação, a situação no mercado de trabalho será mais favorável. “Mas não é verdade, a recessão pegou a todos. Há um grande número de recém-formados desempregado ou em subempregos. 25% dos mestres e doutores do país estão desempregados”.

Segundo o palestrante, as universidades devem formar profissionais com mais conhecimento multidisciplinar e novas habilidades. “Hoje o perfil mais procurado pelas empresas é de um profissional aberto a mudanças, enfrenta desafios, inglês fluente, empatia, resiliência, proatividade, criatividade e multidisciplinar”.

Para Hey, a universidade deve construir uma formação mais empreendedora. “Nossos jovens têm que enxergar o mundo de uma forma diferente, como uma janela de oportunidades, buscar empreendimentos que tragam soluções para os problemas cotidianos”, finalizou ele.

Esta quinta-feira,24, é o último dia do 11º Siepe e a programação deve acontecer  no Parque Internacional, Unipampa, Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) e Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS). Acompanhe a agenda:

9h – Apresentações de Pôsteres – Unipampa/IFSul/UERGS

9h – Oficina “Sistemas Agroflorestais: Estratégia de Produção Agroecológica” – Sala 1 da UERGS

9h – Mesa Redonda: “A inserção da extensão no currículo e o engajamento estudantil” – Parque Internacional

10h30 – Roda de conversa com coordenadores de curso e formação: Inserção da Extensão na Unipampa – Parque Internacional

14h30 – Apresentação Cultural: Grupo de Estudos e Práticas de Rock – Parque Internacional

15h – Cerimônia de Encerramento/Premiação/ Lançamento do 12º Siepe – Parque Internacional